O Partido Socialista de Cascais manifesta profunda preocupação com a situação laboral vivida no Hotel Cascais Miragem e no Casino Estoril, duas entidades com um peso histórico e económico muito significativo no concelho.

No Hotel Cascais Miragem, a administração avançou com um processo de despedimento coletivo, justificado pelo encerramento temporário da unidade para obras de remodelação. Segundo as informações divulgadas pelos representantes dos trabalhadores, o processo deverá abranger mais de 140 pessoas. Outras notícias apontam para um número que poderá aproximar-se dos 200 postos de trabalho.

Por detrás de cada número está uma pessoa, uma família e, em muitos casos, uma vida construída ao longo de vários anos de trabalho.

Preocupação também no Casino Estoril

No Casino Estoril existe igualmente um clima crescente de preocupação. A Estoril Sol apresentou prejuízos de 17,9 milhões de euros em 2025, um agravamento significativo face aos 4,8 milhões registados no ano anterior.

A empresa reconheceu ainda uma provisão de 3,3 milhões de euros destinada a uma reestruturação e à redução permanente dos custos operacionais. Continuam, contudo, por esclarecer as consequências concretas desse processo para os trabalhadores e para a manutenção dos postos de trabalho.

São duas situações distintas, com causas e processos próprios, mas ambas estão a gerar insegurança entre centenas de trabalhadores e famílias do concelho.

“Quando centenas de famílias ficam sem chão, o silêncio da Câmara não é neutralidade. É uma escolha.”

Alexandra Domingos

A Câmara pode e deve agir

Os representantes dos trabalhadores procuraram, por diversas vezes, ser ouvidos pelo executivo municipal. Para o PS Cascais, a resposta da Câmara ficou muito aquém da gravidade e da urgência destas situações.

A Câmara Municipal não possui competência legal para impedir, por si só, um despedimento coletivo promovido por uma empresa privada. Mas essa limitação não pode servir de desculpa para a ausência de iniciativa política e institucional.

O Município pode receber os trabalhadores e os seus representantes, reunir com as administrações e os sindicatos, solicitar esclarecimentos e envolver o Governo, os serviços do Ministério do Trabalho e a Autoridade para as Condições do Trabalho. Pode também mobilizar os seus serviços nas áreas do emprego, da formação e da ação social.

Acima de tudo, pode demonstrar que está atento e presente.

Governar também é estar presente nos momentos difíceis

A atividade do Hotel Cascais Miragem e do Casino Estoril ultrapassa a esfera privada das respetivas empresas. Estas entidades empregam centenas de pessoas, influenciam a economia local e fazem parte da identidade turística e económica do concelho.

As decisões que colocam em risco tantos postos de trabalho têm consequências para as famílias, o comércio local e a coesão social de Cascais. Por isso, a autarquia não pode limitar-se a observar os acontecimentos à distância.

“Quem governa Cascais não pode aparecer apenas para anunciar investimentos, promover inaugurações ou celebrar grandes projetos. Tem também de estar presente quando os empregos estão em risco e quando as famílias precisam de respostas”, sublinha Alexandra Domingos.

O investimento e a modernização das unidades turísticas são importantes, mas o desenvolvimento não pode ser realizado à custa do emprego, da estabilidade e da dignidade dos trabalhadores.

PS exige reunião urgente com os trabalhadores

O Partido Socialista de Cascais exige que o executivo municipal receba, com urgência, os representantes dos trabalhadores do Hotel Cascais Miragem e do Casino Estoril.

O PS defende igualmente que a Câmara promova um diálogo institucional entre trabalhadores, sindicatos, empresas e entidades governamentais competentes, procurando informação clara e soluções que permitam proteger o maior número possível de postos de trabalho.

O Município deve ainda preparar uma resposta de proximidade para os trabalhadores e famílias que possam vir a ser afetados, envolvendo os serviços municipais de emprego, formação, apoio social e acompanhamento familiar.

Ouvir não resolve, por si só, todos os problemas. Mas nenhuma solução séria pode começar sem ouvir quem está diretamente em risco.

A diferença está nas escolhas

O Partido Socialista escolhe estar ao lado dos trabalhadores, ouvir as suas preocupações, acompanhar os processos e utilizar todos os instrumentos políticos e institucionais disponíveis para procurar soluções.

“Não prometemos aquilo que uma Câmara Municipal não pode legalmente fazer. Mas recusamos aceitar que nada pode ser feito. É possível ouvir, acompanhar, mediar e agir. É essa a diferença que o Partido Socialista quer representar em Cascais”, afirma Alexandra Domingos.

A exigência é clara: o executivo municipal deve quebrar o silêncio, receber os trabalhadores e agir antes que seja tarde. O desenvolvimento de Cascais só faz sentido se não deixar para trás as pessoas que trabalham e vivem no concelho.